História de Colíder
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O INÍCIO - (texto: Siloé de Oliveira)
O município de Colíder, denominado popularmente de Gleba Cafezal, teve como seu colonizador e fundador o Sr. Raimundo Costa Filho que, no ano de 1973, dá assentamento aos primeiros colonos e a edificação da vila de Cafelândia.
Aos primeiros dias do mês de maio de 1974, atendendo a vontade popular, acontece a inauguração da vila, passando a chamar-se, Colíder, nome este, que deriva das iniciais de Colonizadora e Imobiliária Líder.
A princípio a pequena vila era pertencente ao município de Chapada dos Guimarães - MT, na época, o maior município do mundo. Com o grande desenvolvimento proporcionado pela chegada de inúmeras famílias dos mais diversos recantos do Brasil, iniciam-se movimentos pela emancipação. Em 1976, sob a lei 3.746, obedecendo ao projeto de autoria do deputado estadual Oscar Soares, cria-se o distrito.
Prosseguindo no caminho do desenvolvimento, no dia 18 de dezembro de 1979, atendendo a projeto do deputado Osvaldo Roberto Sobrinho, alcança- se a emancipação, tendo como base a lei nº4. 158 sancionada pelo governador Dr. Frederico Soares de Campos. Inspirada no slogan “AQUI O SEU FUTURO É HOJE”, a população caminhou a passos largos rumo ao progresso na grande marcha desbravatória da Amazônia legal.
Na tragetória desenvolmentista, em 1.980, o governador Frederico Soares de Campos, nomeia para administrar o recente Municipio, o sar. Antonio Agostini Barbieiro por mandato de dois anos (2) ficando esse , no cargo até 1.982, quando assumiu o prefeito eleito pelo voto direto, Sr. João Guedes.
Colonização da Gleba Cafezal 1973
Entre 1950 e 1970, as terras mato-grossense representavam boa oportunidade para se aplicar, pois eram baratas e havia mão-de-obra abundante. Ocorreu em mato grosso nesta época, desenfreada venda de terras, muitas vezes praticada em nome do governo. Estes Colonizadores desconheciam o tamanho de suas propriedades.
Além dessas “firmas”, grileiros tomavam posse destes latifundios. Quando os verdadeiros proprietários apareciam, os conflitos sem dúvida, eram inevitável. O próprio governo desconhecia as dimenções destas fronteiras,entregando as mesmas áreas, a várias pessoas ao mesmo tempo. A partir de 1.970, o Governo Federal passou a estimular a ocupação destes bolções, dando prioridade às “Firmas”, que impunemente, praticavam suas proprias leis.
Na intenção em resolver estes conflitos, o governo determinou a presença do INCRA, passando este, com a colaboração da SUDAM, SUDECO e BASA, incentivar a presença de pequenos colonos ás margens das rodovias que estavam sendo construídas pelo Exercito. O espírito dominante era, ocupar os espaços vazios, vários outros fatores implicaram na rapidez com que o Brasil, em tempo recorde construisse grandes redes de estradas na amazônia. O tarefa principal, coube ao DNR, reformulado em 1970, para exercer suas funções na amazônia. Os planos traçados contemplavam a abertura de uma rede unificada de frentes de serviço com caráter umanitário social, onde o consórcio “estradas-colonização” podesse atender aos interesses civis e militares. Havia, por motivos de segurança nacional, que se ocupasse aqueles espaços mais distantes do planalto central, mas, as razoes de desenvolvimento ocupavam espaço na mesa dos governantes em Brasilia. O espirito era o desenvolvimento e segurança, assim a Trans-amazonica, CuiabáSantarem arastaram atrás de sí, milhares de colonos anciosos por um pedaço de terra. Mário Andreasa, Ministro dos transportes na época declara,”Vamos colocar a Amazônia e o planalto central, por assim dizer; mais próximo das demais regiões do país, particularmente do Nordeste. Colíder, a principio povoada apenas pelos índios PANARAS quais, eram os legítimos donos destas terras, em suas terras ospedavam milhares de arvoredos de ramada farta. Galhos altíssimos agasalhavam ninhos das mais variadas empeceis, troncos e brotos germinavam no solo amarelo e produtivo.
O verde das ramadas camuflava pássaros e ninhos, o chão serpenteado de espessa vegetação abrigava feras tão selvagens quantos os índios que as cassavam. Tanto as feras, como o nomadismo silvícola deu lugar ao alicerce colonizatório dos imigrantes. Estes rasgaram caminhos que aos pouco resultou no fantástico e próspero projeto. Da camisa soada, da foice afiada prosperou o engenho humano, surgindo logo às primeiras construções. Sendo semeados os primeiros grãos, logo germinam ricas sementes de admirável vigor. Arroz batatas, mandioca entre outras leguminosas fartavam a mesa do sertanejo, marcando assim a posse da terra prometida. Com o tempero necessário ao desenvolvimento saltando do chão, em apenas dias os sonhos foram realizados. Essa euforia resultou em intensas ondas migratórias compostas na sua maioria de aventureiros em busca de dias melhores. Essa gente logo que chegam, deitam à foice e o machado na derrubada da mata sob o olhar incrédulo dos PANARÁS.
Com o advento da agricultura farta, da madeira abundante e a riqueza do minério, a cidade que antes inexistia, subitamente atinge as mais expressivas marcas de desenvolvimento, deixando para a história o legado de fé destes conquistadores.
O NASCER DE UMA CIDADE
Finca-se o marco, numera-o, o TEODOLITO é regulado, a bússola intica para o NORTE, os picadeiros seguem a orientação do topógrafo Calisto, as foices caminhas pela mata; atrás, os tratores colocam tudo ao chão. Na grande clareira aberta as coivaras queimavam clareando as noites de junho, alguns galhos que ainda restavam eram cortados pela moto-serra.
No mapa estendido no chão, o agrimensor fazia os cálculos, era ali o entroncamento da Avenida Marechal Rondo e Colonizador, coração da futura vila de “Cafelândia”, sediada a 42 km aproximadamente da rodovia CUIABÁ-SANTARÉM, fixada entre os vales dos rios Carapá e córrego Jaracatiá. A cada dia a clareira tornava-se maior. Os braçais contratados abriam novas ruas, surgindo o retrato do que seria as principais vias públicas. Assim surge, encravada em plena selva Amazônica a menina dos olhos de Raimundo, a pequena Cafelandia. Era o anoitecer do dia sete de Maio de 1973.
A INAUGURAÇÃO
Com o crescimento da vila, RAIMUNDO resolve fazer a inauguração. Todos são convidados, colonos chegam de toda parte trazendo filhos e esposas. O EXÉRCITO desfilou diante do palanque improvidasado. A bandeira do Brasil e do Mato Grosso foram hasteadas, os oradores fizeram uso da palavra, ao final a Bandeira da Colonizadora agitava-se no alto do mastro de madeira bruta.
Um símbolo (cruz) foi fincado frente o escritório da “firma” representando a fé do povo. Neste dia, o sétimo, do quinto mês do ano de 1.974, CAFELÂNDIA, passou a chamar-se “COLÍDER”, resultado da fusão das palavras Colonizadora e Imobiliária Líder. Com o vermelho túrgido do poente finda também as comemorações. Todos retornam ao exercício de rotina.
TRAGETÓRIA POLÍTICA
Criação do Distrito de Colíder 1.976
A criação do Distrito de Colíder (Lei nº.3.476 de 18 de junho 1976) deu-se em decorrência da grande incontinência popular.
Movimentos reivindicatórios intercediam junto às classes políticas tanto em Cuiabá, como em Chapada dos Guimarães sede do município, começando assim nova etapa na história da recente colonização.
Grupos formados pelas mais expressivas representações constituíram-se em papel fundamental na transição dos fatos e debates democráticos, os quais culminaram com a vitória de todos.
Destacamos a pessoa do deputado Oscar Soares, eminente parlamentar autor do projeto de divisão. Projeto esse motivo de acalorados debates no plenário da Assembléia Legislativo onde grande parte das sessões era acompanhada pelo povo Colidense.